NÃO SEJA UM PROFISSIONAL DO CONTRA

Você conhece pessoas que vivem apresentando resistência diante de novas ideias, soluções ou mudanças? Aquelas pessoas que na maioria das vezes são do contra , e dificilmente contribuem para inovar? Quando surge uma nova ideia, ou um novo trabalho, muitas pessoas acabam se mostrando acomodadas e resistentes para aceitar o que é proposto, utilizando a expressão AH, MAS . Por exemplo, quando um novo sistema de gestão é divulgado, alguns já dizem ah, mas isso não vai dar certo , ah, mas vai dar muito trabalho e assim por diante. São pessoas que começam a colocar obstáculos antes mesmo da aplicação de qualquer novidade.

É claro que ter senso crítico moderado é importante. Em muitos casos o indivíduo pode usar a expressão ah, mas porque está enxergando algo que os outros não estão vendo, e isso deve ser avaliado para encontrar uma solução, ou ajustar um planejamento. Porém, antes de usar o ah, mas devemos acionar o senso realista e não o pessimista.

Se uma mudança for necessária devemos analisá-la, mas com a visão daspossibilidades e não com uma visão de contrariedade. Os profissionais que são verdadeiramente comprometidos estão sempre engajados para contribuir com o sucesso da empresa. Ao invés de utilizarem a expressão ah, mas , eles pensam: como podemos executar da melhor maneira?

Torne-se um possibilitado. Não importa o quão escuras as coisas pareçam ser ou realmente sejam, levante sua mira e enxergue as possibilidades – sempre veja-as, pois elas estão sempre lá. (Norman Vincent Peale)

Você pretende se destacar em seu trabalho? Quer ter um marketing pessoal positivo? Então, quando não concordar com algo, ou quando enxergar os obstáculos de uma nova atividade, apresente soluções para agregar valor e não fique apresentando impossibilidades. Fazendo assim você estará contribuindo com novas possibilidades e mostrará preocupação, comprometimento e otimismo, sem deixar de ser realista.

Lembre-se que o mas é uma conjunção adversativa, então, quando ele é pronunciado nega tudo o que foi dito antes. Por exemplo, se alguém diz quero fazer outra faculdade, mas não tenho tempo , ou, vamos qualificar nossas equipes, mas … O mas demonstra restrição e impossibilidade quando não é bem empregado, principalmente se o tom de voz passa uma mensagem de resistência ao que está sendo proposto.

Caro leitor, não seja mais um profissional do contra, enxergue as possibilidades, pois devemos sempre olhar para frente, acreditando que é possível inovar. Tenha uma atitude proativa e elimine qualquer expressão que demonstre resistência e acomodação de quem não quer mudar. Substitua o ah, mas por vamos conseguir , porque não , como posso dar minha contribuição , etc. Seja um profissional agregador de soluções, pois as empresas não querem ter pessoas que empacam a inovação e a criatividade.

Pense nisso.

Não devemos ter medo das novas ideias! Elas podem significar a diferença entre o triunfo e o fracasso (Napoleon Hill)

Cersi Machado

Palestrante motivacional e treinador empresarial, atuando há mais de 12 anos em T&D. Autor de dois livros e coautor dos livros Ser+. Aplica uma metodologia inovadora em palestras e treinamentos empresariais, combinando conteúdos práticos com base em Gestão Estratégica de R.H., Coaching, PNL, Emotologia, Neurociência do Comportamento, Animação 3D e outras abordagens.

Qual é seu Plano B?

Todas as atividades empresariais estão focadas somente na sua rotina diária. Reconheço que estão corretos.

 

Vale ressaltar que os nossos planos diários, nem sempre levamos em conta que poderá faltar luz, que os equipamentos que utilizamos para o trabalho poderão estragar que meus clientes poderão ser conquistados pelos meus colegas de trabalho, pelos concorrentes, etc.

 

Comento isto, porque passei por uma situação destas na recepção de um hotel, no qual tinha dado um problema no seu sistema de informática e lá estávamos todos seus hóspedes aguardando no hall até que o sistema voltasse e por ali permanecemos mais de uma hora sem podermos ocupar nenhum apartamento.

 

No seu caso específico, imagine sua agenda lotada de clientes marcados para eventos importantes e em pleno sábado falta luz por tempo indeterminado ou sua equipe de profissionais  não comparece, qual vai ser seu plano B?

 

O cliente vai exigir seu atendimento dentro de seu horário, por aquele profissional, pois com certeza ele também não tem um plano B, se algo acontecer.

 

Temos que ter um plano B para todas as áreas de nossas vidas, sempre temos pessoas dependendo de nossa atividade profissional.

 

Somos perfeitos no plano A e muitas vezes não temos nenhum reconhecimento por isto, mas por alguma fatalidade que independe de nós, somos julgados e até deixados de lado, porque, como sempre, ouviremos “o cliente sempre tem razão”.

 

Por isto aconselho que tenhamos sempre um plano B para aquele dia em que gostaríamos de dizer: “Hoje perdi o chão, foi um dia que deu tudo errado, o melhor era não ter nem me levantado para trabalhar!”

Pense nisto!

 

 Roberto Fehrenbach

Consultor de Empresas

Assédio sexual nas relações de trabalho

O assédio sexual consiste numa negação ao direito fundamental da dignidade humana e boa-fé nas relações de trabalho. Porém, não se pode confundir o assédio com outras figuras, tais como: a cantada, um elogio e assim por diante.

A necessidade em ser feita esta separação é importante para se evitar a inflação da responsabilidade, seja ela civil como penal, já que muitas pessoas utilizam o Poder Judiciário como um instrumento de captação de recursos financeiros. É certo que não é fácil ser feita esta separação. Existem alguns recursos que podem ser utilizados para verificar a existência do assédio sexual, conforme demonstraremos neste breve artigo.

A dignidade do trabalhador é atingida quando coloca em causa sua integridade física e psicológica, atingindo seu trabalho. Uma simples cantada, elogio e assim por diante, sem objetivo de natureza sexual não caracterizam o assédio, pois se fosse assim, os adjetivos feio e bonito, quando ligados a pessoas não poderiam mais ser utilizados. Ninguém poderia mais ser chamado de feio e nem de bonito, sob pena do autor pagar indenização!!!

Para que fique caracterizado o assédio deve haver a presença de dois elemento comuns: práticas materialmente repreensíveis e práticas realizadas com o objetivo de obter benefício de natureza sexual.

Os elementos materialmente repreensíveis são os insultos e injurias com conotação sexual, as palavras humilhantes, as ameaças verbais como: se você não dormir comigo, rua!!! As sanções disciplinares ou promoções com chantagem: se você dormir comigo será recompensada muito bem em seu salário.

As práticas com objetivo de obter benefícios de natureza sexual devem ser analisadas conforme a vontade do autor. Este deve ter a intenção de provocar ou incitar o desejo sexual da outra. Deve haver uma provocação com finalidade sexual.

Para que exista o assédio deve estar presente um elemento de autoridade, a influência do poder econômico e financeiro do assediador sobre a vítima na relação de trabalho.

O assédio deve ter uma conotação sexual atingindo a integridade física, a integridade psicológica da vítima de forma repetida e durável. Nestes dois últimos casos, a ausência de repetição e durabilidade é uma exceção, somente em uma situação muito grave e devidamente provada poderá haver assédio sexual sem o preenchimento deles.

A prova do fato não é nada fácil de ser produzida nesta matéria, por isso, ela pode ser buscada através de gravações, e-mails, testemunhas. Além da prova do fato, ainda deverá haver prova do dano físico, do dano psicológico sofrido pela vítima.

A vítima para se defender do assédio deve reagir rapidamente, não se calar, não sofrer, ela deve resistir ao assediador. Assim, ela pode evitar o assediador, ser fria e indiferente, se vestir de forma diferente para passar sem ser percebida, mentir se for necessário sobre sua vida pessoal para desencorajar o assediador e convencê-lo que é melhor ter somente uma relação profissional. Porém, tudo isso deve ser medido com cautela e cada caso deve ser muito bem analisado, pois, esta provado cientificamente que a maioria dos casamentos ocorrem quando as pessoas se conhecem no local de trabalho; em segundo lugar quando são apresentadas por um amigo e em situação mais remota quando alguém se conhece num bar, por exemplo.

É preciso que o julgador tome cuidado ao analisar os casos de assédio e isto o Judiciário vem fazendo, pois, uma atitude mais rígida por parte dele serviria para diminuírem as cantadas, as aproximações, etc.. As pessoas teriam que viver mais isoladas. Se não for assim, cairemos na banalização do assédio sexual, onde um simples elogio, uma cantada, poderá ser interpretado, segundo o “ gosto “ do julgador.

Embora estejamos tratando do assédio nas relações de trabalho é importante ser mencionado que ele não está presente somente nas relações de trabalho mais sempre quando alguém constranger outrem com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Exemplos? Relações entre professores e alunos, entre médicos e paciente, etc…onde estejam presentes as condições que caracterizam o assédio sexual.

Para finalizar, deve se ter cuidado na apreciação do assédio moral para que ele não dependa do “gosto”, da apreciação individual e da visão sexual de cada indivíduo, ele deve ser visto de forma objetiva, os fatos devem ser identificados precisamente e daí provados, principalmente sob o ponto de vista penal, pois, se não ficar provado o assédio sexual, a suposta vítima poderá sofrer uma ação de indenização por danos morais por denunciação caluniosa.

Robson Zanetti é advogado . Doctorat Droit Privé Université de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Corso Singolo Diritto Processuale e Diritto Fallimentare pela Università degli Studi di Milano.

Assédio moral no trabalho

O assédio moral vem tomando uma dimensão muito grande nas empresas, sendo um problema, humano, social e econômico que acaba atingindo não somente a pessoa, mas também o empregador e os governos.

O assédio moral se caracteriza pela prática de atos hostis no trabalho.

Estes atos são praticados por um ou mais assediadores e acabam deteriorando as condições de trabalho, relacionais, materiais de trabalho de uma ou mais “vítimas”, visando atingir seus direitos e sua dignidade, podendo alterar seu estado de saúde de forma grave e prejudicar sua profissão.

Dessa forma, citamos como exemplos, algumas práticas hostis, onde o assediado não recebe informações úteis para o desempenho profissional; seu trabalho é criticado sistemática ou injustamente; é dado um objetivo que se sabe não será atingido; são dadas indicações contraditórias; quando se fala da vítima é com a finalidade de denegrir; é objeto de gestos de insatisfação; é desacreditado perante os colegas; é retirado o acesso aos instrumentos de trabalho: telefone, fax,…; quando tem a palavra é interrompido; é lhe recusada informação ilicitamente e é isolado.

O objetivo no assédio é de não reconhecer a qualidade do trabalho realizado, o investimento da pessoa em seu trabalho(1).

Para que fique caracterizado o assédio é preciso que haja a repetição de práticas hostis durante um certo tempo, em torno de 6 meses.

O assédio pode ser de forma individual e/ou organizacional e ocorre tanto no setor público como privado. O assédio de forma individual ocorre por ato de assediadores com com personalidade narcisista, paranóicos, obsessivos ou perversidade ocasional e a nível organizacional, resultado de uma estratégia deliberada pela empresa visando licenciar os trabalhadores com altos salários ou evitar processos de licenciamento e ainda por fatores ligados a reestruturação societária, modos de organização, etc, onde os assediadores executam decisões organizacionais impostas pela hierarquia ou pela direção.

A inveja é o motor do assédio moral nas relações de trabalho e ele não é um acontecimento ocasional e ocorre por omissão do empregador que não tomas as medidas cabíveis a tempo. As medidas adequadas devem ser tomadas para evitar a exclusão da vítima do mercado de trabalho, pois assim o assediador não sairá vitorioso, já que com a exclusão da vítima o assediador atingiria seu objetivo e a vítima por sua vez encontraria dificuldades em encontrar um novo emprego, principalmente por causa de seus antecedentes que lhe dariam uma conotação negativa. “É difícil do interessado esconder as marcas do tratamento que lhe foi imposto e as seqüelas psicológicas e psíquicas que ele as guarda”(2).

O assediador manipula as informações destinadas a vítima, a interpreta de forma maldosa, utiliza meio de comunicação agressivo, como bater a porta, utiliza a comunicação de forma indireta e mascarada para evitar com que a vítima se defenda, pois se a informação fosse direta a vítima logo poderia se defender. Estas perturbações visam cortar a vítima de sua rede de relação profissional e social.

As técnicas do assédio são essencialmente técnicas de desqualificação que visam a desacreditar a vítima e atingir sua dignidade e sua individualidade. O assediador procura criar dúvidas na cabeça dos colegas do assediado: “Você não crê que…?”. Quando o alvo fica irritado, é tachado de maluco e o assediador busca responsabilizá-lo. Quando os colegas são convencidos que o alvo é maluco, o assediador pode sair impune. O assediador procura manipular a vítima para colocá-la numa posição de culpada para que tenha o prazer de criticá-la.

“O assédio resulta freqüentemente de um conflito que se envenena porque ninguém parou com a evolução do processo a tempo. A gestão de conflitos cabe aos administradores, dirigentes e empregadores que deveriam limitar o uso de técnicas de ataque das relações profissionais, a manipulação de informação e a comunicação paradoxal que envenena o clima de trabalho e aumenta o risco de assédio no trabalho”(3)

A violência psicológica no trabalho gera custos diretos por causa do trabalho perdido e custos indiretos tais como a baixa na produtividade e qualidade dos produtos, deterioração da imagem da empresa e degradação do ambiente de trabalho. Ainda, acarreta o aumento dos gastos públicos com o tratamento da depressão, podendo inclusive levar ao suicídio.

O assédio pode ocasionar a suspensão do trabalho, inaptidões temporárias ou definitivas, parciais ou totais e levar a vítima a ter problemas de saúde como sentir fadiga, taquicardia, ter problemas com o sono, emagrecimento, stress, distúrbio digestivo, ansiedade, tremores, taquicardia, irritabilidade, humor instável, agressividade,…

O assédio visa destruir fisicamente uma pessoa, esta sente perda de estima de si, sensação de culpada, etc.

O preço a pagar para a vítima é colossal a curto termo e a longo termo. O assédio toca não somente a vítima, mais também as pessoas em torno dela, sua família. O assédio traz desgastes colaterais junto aos cônjuges, filhos. Ele é responsável ainda por separações e divórcios.

O assédio é igualmente ruinoso para toda a sociedade e para a empresa porque a produtividade, a criatividade e o investimento no trabalho são menores. Todos os especialistas se alarmam e expressam quanto é impossível de avaliar verdadeiramente os efeitos globais do assédio para a sociedade e para a empresa.

Notas:

(1)  Elisabeth Grebot, Harcèlement au travail, Paris: Eyrolles Éditions d’Organisation, p. 25, 2007.

(2)  Leymann H., Mobbing, la persecution au travail, Paris, Seuil, 2002.

(3)  Elisabeth Grebot, Harcèlement au travail, Paris: Eyrolles Éditions d’Organisation, p. 118, 2007.

Robson Zanetti é advogado . Doctorat Droit Privé Université
Panthéon-Sorbonne Paris 1. Corso Singolo Diritto Privato Università degli Studi di Milano.