CONSTRUINDO UMA TROPA DE ELITE

Sob a Inspiração do filme “Tropa de Elite”, a palestra propõem estabelecer a relação entre a realidade do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM do Rio de Janeiro), das empresas e atividades do mundo corporativo.
O foco principal da abordagem é o que está além dos processos: o compromisso com a marca (empresa): o foco no resultado; o trabalho de equipe; a superação de limites – metas; a liderança mútua; e a auto-realização no cumprimento da missão-tarefa.
A interação entre o público e o ex-capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel – Roteirista do Filme, Coordenador do Curso de Operações Especiais, retratado no roteiro e um dos oficiais que serviu de inspiração para o CAPITÃO NASCIMENTO, interpretado pelo ator Wagner Moura – tem como objetivo despertarem as pessoas para superarem os “desafios” do ambiente competitivo de trabalho e para focarem a liderança sob o aspecto dos “homens de preto” do BOPE.

Rodrigo Pimentel

O Poder da Confiança

Ser ingênuo, inocente, vulnerável e crédulo faz parte da nossa infância, nesse período temos grande propensão para confiar em tudo e em todos. Com o passar do tempo e a experiência de vida, muitos de nós passam a confiar menos, às vezes por bons motivos.

Stephen R. Covey em seu livro “O Poder da Confiança” cita que: apenas 12% dos colaboradores confiam na empresa em que trabalham, e 36% acreditam que seus líderes agem com honestidade e integridade. Realmente assustador.

Quando pensamos em confiança normalmente visualizamos ações de: honestidade, sinceridade, verdade, amizade e lealdade, acreditando que esses comportamentos são o suficiente para confiar em alguém, visualizando apenas um lado na construção da confiança. Para edificar a verdadeira e integral confiança é necessário enxergar o dois lados dessa moeda.

O “CARATER e a COMPETÊNCIA” são os dois lados da moeda. Para entender melhor esse conceito, vamos imaginar que você está iniciando um relacionamento profissional com uma pessoa sincera, honesta e verdadeira, mas você não confiará plenamente se ela não produzir resultados concretos em seu departamento. Outra pessoa poderá possuir grandes habilidades, talentos e bons antecedentes de resultados em outra empresa, mas se ela não for honesta e transparente você não confiará nessa pessoa, e não a manterá no quadro de pessoal. Por isso a credibilidade em uma pessoa acontece quando houver caráter e competência, sendo que a circunstância determina o nível de confiança que você poderá depositar em uma pessoa. Vejamos outro exemplo: o relacionamento entre casais é inundando por caráter e competência, mas no momento que você necessitar de uma cirurgia, por mais confiança de caráter e habilidade que a sua (eu) esposa(o) tenha em você, com certeza, você procurará um médico especialista para realizar essa tarefa.

O primeiro lado dessa moeda trata do CARÁTER da pessoa, que é composto de “INTEGRIDADE”, correspondendo à sua coerência do falar e se comportar, sua humildade sem ser fraco ou reticente, sua coragem de agir quando é difícil, e também pela “INTENÇÃO”, que corresponde ao propósito, motivo e comportamento de fazer algo. O segundo lado é o da COMPETÊNCIA, que é composto pela “CAPACITAÇÃO”, contemplando as aptidões e forças naturais da pessoa (talentos), seus paradigmas, conhecimentos, habilidades e estilo (personalidade) de fazer as coisas, e também pelos ‘RESULTADOS”, sendo as conquistas e realizações alcançadas pela pessoa. Os resultados são fatos que aumentam a credibilidade e reconhecem o esforço, dedicação, acabativa e a competência de uma pessoa, sendo muito importante a forma como o resultado foi alcançado. Se o resultado foi atingido por meios ou comportamentos desonestos e nefastos, esbarrará no caráter, prejudicando intensamente o relacionamento de alta confiança.

Quando conheci o conceito da Equação da Velocidade da Confiança, desenvolvido por Covey filho, fiquei estarrecido pela simplicidade, previsibilidade e verdade absoluta contida na equação; mas antes de explicar o conceito vou relatar o exemplo que o autor descreve em seu livro: Antes do 11 de Setembro, nos USA, podia-se chegar no aeroporto meia hora antes da decolagem, e passava-se com rapidez no controle de segurança, mas depois desse dia dá para imaginar o que mudou no aeroporto em razão da desconfiança! Todos os recursos foram colocados para aumentar a segurança e a confiança em voar, o que foi evidentemente necessário, obtendo os resultados desejados para aquele momento, porem tudo ficou muito mais lento, do check-in à entrada para o embarque, sendo necessário chegar com muito mais antecedência no aeroporto, e também ficou mais caro, passou-se a pagar uma taxa seguro extra de segurança, sem contar o valor hora, em razão da prevenção de chegar com duas horas de antecedência para o embarque.

A equação é muito simples, veja:

CONFIANÇA = VELOCIDADE CUSTOS

Quando há baixa confiança, a velocidade diminuiu e os custos aumentam significativamente.

CONFIANÇA = VELOCIDADE CUSTOS

Quando a confiança cresce, a velocidade também sobre e os custos diminuem.

Basta você imaginar essa equação acontecendo em diversas situações como: em uma aquisição de empresa, fechamento de um contrato, uma negociação, na liderança de sua equipe, em um relacionamento profissional ou pessoal. Pergunte-se: o quanto você está ganhando ou perdendo oportunidade de velocidade, e quantos custos você está aumentando ou reduzindo para o resultado desejado no seu dia-a-dia em relação à essa equação.

É singular o fato de pensar em confiança olhando pela janela, ou seja, vendo primeiro a relação de confiança que você tem nos outros, esquecendo-se que devemos olhar primeiro no espelho, enxergando como estamos capacitados a estabelecer e sustentar confiança no nosso ciclo de relacionamentos, por isso convido-o a se perguntar:

Confio em mim?
Sou uma pessoa confiável?
As pessoas podem acreditar em mim?
Sou digno de confiança?
Sou uma pessoa integra?
Tenho boas intenções?
Tenho competências em que as pessoas acreditam?
Meus resultados falam mais alto do que a minha voz?
Se as repostas foram, em sua maioria, positivas, parabéns, no quesito autoconfiança você está bem, o que é um excelente começo. Mas se você respondeu várias das perguntas acima de forma negativa, ótimo também, porque lhe dará a oportunidade de rever seus conceitos, atitudes e comportamentos de confiança para o futuro.

Existe uma conta de impostos e dividendos que você recebe diariamente, mas essa conta não é entregue pelo correio, e nem apresentada em um formulário padrão de alguma instituição governamental ou bancária. Essa conta é aberta quando você inicia um relacionamento, e durante o percurso você pode pagar impostos ou receber dividendos. Tudo dependerá da maneira como você colocará em ação os comportamentos da alta confiança, nos mais diversos relacionamentos, interações e dimensões da vida.

Ninguém quer pagar impostos, mas muitas vezes pagamos e sem perceber, são tirados da gente sem estarmos cientes, e o pior é que desperdiçamos a maioria dos impostos ocultos que pagamos. Eles são os custos da baixa confiança. Se você for um bom observador, poderá ver esses impostos aparecendo em toda parte – nas organizações e nos relacionamentos, e geralmente são muito altos.

Veremos a seguir os sete impostos organizacional da baixa confiança:

1- Redundância: é a duplicação desnecessária e o retrabalho. Projeta-se na excessiva hierarquia organizacional, níveis e estruturas sobrepostas, repetição de tarefas e controles desnecessários. O paradigma da redundância está na crença de que as pessoas devem ser supervisionadas de perto para que o trabalho seja feito, porque não se pode confiar nelas.

2- Burocracia: é a excessiva papelada, entraves desnecessários, controles, regulamentos e várias esferas de aprovação na empresa. A baixa confiança alimenta a burocracia e a burocracia alimenta a baixa confiança.

3- Politicagem: é o uso de táticas e estratégias para conquistar o poder, gerando no escritório retenção de informações, lutas internas, segundas intenções, rivalidades interdepartamentais, maledicência e reuniões após reuniões, resultando desperdício de tempo, talento, energia e dinheiro, envenenando a cultura da empresa.

4- Desengajamento: é quando as pessoas continuam trabalhando na empresa, mas na verdade já se demitiram mentalmente. O esforço de contribuição é o mínimo possível, somente para receber o salário e não ser demitido. Uma pesquisa mostrou que apenas 28% dos funcionários são engajados com a empresa em que trabalham. O desengajamento empurra a empresa para um ritmo lento, às vezes até paralisante, comprometendo a perenidade do negócio.

5- Rotatividade: é o entra e saí dos funcionários em uma empresa, causando um enorme custo de processo admissional e de treinamento. A falta de confiança, burocracia, politicagem geram os custos da rotatividade, representando dois salários anuais para cada substituição feita no quadro de pessoal.

6- Churn: se trata da rotatividade dos stakeholders , as partes interessadas em uma empresa, que não sejam os empregados (clientes, fornecedores, comunidades e investidores). Quando a baixa confiança faz parte do dia-a-dia dos stakeholders a velocidade diminui e os custos aumentam significativamente. Existe uma co-relação importante; quando a empresa não confia em seus empregados, eles tendem a passar essa falta de confiança aos clientes e demais partes interessadas, fazendo com que os clientes deixem de comprar e desaparecem. Imagine a conseqüência disso.

7- Fraude: é simplesmente desonestidade, sabotagem, obstrução, enganação e perturbação. Com a fraude a empresa aumenta o controle, conseqüentemente aumenta os seis impostos anteriores citados, causando enorme custo de tempo, energia, dinheiro e confiança à empresa.

Creio que não será necessário descrevermos os dividendos, pois, simplesmente se trata do oposto de tudo que escrevemos sobre os impostos.

Acredito, firmemente, que a equação da velocidade da confiança e a conta bancária da confiança poderá contribuir no seu sucesso profissional e pessoal, basta implementá-las em seu cotidiano, e se for possível estendê-la em todos os seus ciclos de influência, para resultar em um mundo de melhores relacionamentos.

“ Nada é tão rápido quanto a velocidade da confiança, e nada é mais gratificante do que um relacionamento de confiança.” Stephen R. Covey.