INTELIGÊNCIA CONVERGENTE – A Mente Vencedora do Futuro

 

Daniel Bizon

                           De Nova York, Thomas Friedman. Da Índia, Pankaj Ghemawat. Mais um conflito entre Estados Unidos e Oriente? Ou seria um combate entre o herói e o vilão numa super produção de Hollywood?

Só de falar em Estados Unidos e Oriente, já cheira a bomba! Mas a “guerra” agora é bastante saudável.

Falo da recente discussão provocada por Pankaj Ghemawat, professor indiano da Harvard Business School. O alvo é o famoso livro O mundo é Plano, Best seller assinado por Thomas Friedman, colunista do New York Times.

Para Friedman, o mundo é plano, as fronteiras entre nações não existem mais e a globalização está “a todo vapor”. Ghemawat rebate em “alto estilo”:

– “O mundo não é plano coisa nenhuma! Isso é tudo globaboseira”!

O indiano defende que a coisa não é bem assim, apresentando argumentos bastante lúcidos como o fato de que o investimento estrangeiro direto (IED) nos países, não atingiu nem 10% no período de 2003 a 2005.

Ou mesmo a internacionalização das patentes, ligações telefônicas e investimentos na bolsa, que também não chegam sequer aos 10%. Ghemawat e Friedman chegaram a “se pegar” através de cartas.

Uma coisa é certa; plano ou não, não se pode negar que o mundo está diferente. Em parte para melhor, em parte para pior. Impactos positivos em algumas economias, aumento da difusão da informação, geração de novas fontes de energia e mais recursos na medicina.

Impactos negativos também; meio ambiente degradado, conflitos entre nações, péssimas condições de vida de alguns povos e claro, valores humanos deteriorados. De uma forma ou de outra, tudo isso vem das pessoas. O mundo foi transformado porque elas se transformaram.

Mesmo que a “planificação” do mundo venha a ser lenta, muita coisa tende a se “planificar” ou a convergir. A começar pela forma como as novas empresas são planejadas.

Como os mercados estão muito densos e competitivos nascem novas formas de se pensar a estratégia de uma empresa.

Empreendedores de todo o mundo estão juntando atributos de valor provenientes de setores completamente diferentes para criar novos modelos de negócio.

Estudantes estão mais conscientes de que a escolha de uma profissão passa também pelo significado que o trabalho terá em suas vidas, deixando se render à mera ambição de ficar rico a qualquer custo.

Começam a surgir os verdadeiros talentos, apaixonados pelo trabalho. Sem aquele pavor pela próxima segunda-feira serão motivados pelo senso de realização e pelos ganhos decorrentes de sua competência.

Os que fazem a diferença acabam enriquecendo. Outro aspecto importante é a transformação no conceito de consumo.

Consumir no passado era para suprir necessidades. Existia o momento da compra e o momento da “curtição”. Hoje já vemos o consumo tratado como uma experiência, como parte do prazer da vida, um verdadeiro ritual.

E por isso, os varejistas estão preocupados em tornar o ambiente de consumo mais humanizado, mais interativo, capaz de fazer o cliente sonhar dentro da loja. Como diz um grande amigo, “somos todos crianças; o que muda é o preço dos brinquedos”.

No mercado de trabalho, caçadores de talentos lotam os programas de TV e eventos de RH dizendo que tipo de “alienígena” procuram para ocupar as empresas do futuro, pois as competências que o mercado está buscando têm sido de multi-especialista, um profissional com uma visão holística da tarefa e das possibilidades do mundo.

Em resposta a tudo isso a área de gestão de projetos cada vez mais se afirma como uma ciência que veio para tornar a atividade humana mais eficaz a começar pelo mundo dos negócios. Sua natureza integrada e convergente alinha-se às tendências do progresso tanto dos seres humanos quanto das inteligências eletrônicas e artificiais (softwares e robôs).

Acredito que o amadurecimento desta ciência certamente a levará a cumprir outros papéis importantes além dos negócios. Não é de hoje que a gestão de projetos está presente na pauta do desenvolvimento, mas sua popularização vem se tornando mais intensa nos últimos anos.

            Então não é difícil perceber que o ser humano vencedor terá uma configuração de inteligência diferente do que foi. Aquele que vem para inovar saberá se relacionar e construir redes de pessoas, integrando novos conhecimentos ao seu saber de origem.

Se ele compra e se diverte ao mesmo tempo, não tem pavor do trabalho e constrói novos modelos de negócio juntando tudo o que é bom, certamente possui um novo tipo de inteligência. Uma inteligência convergente, integradora.

Pessoas com este tipo de mente serão vencedoras por que:

  • Inovar e sustentar são duas de suas capacidades intensamente requeridas pelos negócios e pela sociedade, independente do mundo ser “plano ou redondo”;
  • As respostas para muitos conflitos humanos estão no passado, mais precisamente na história e na antropologia. Incrivelmente, passado, presente e futuro serão integrados pelos representantes desta classe para dar luz à inovação nas crenças e condutas sociais; o poder, o amor, a sexualidade e a espiritualidade serão profundamente transformados;
  • Chamados de multi-especialistas por uns e nexialistas por outros, serão criadores de novas profissões e novos produtos, uma reinvenção ancorada na integração de diferentes áreas do conhecimento;
  • O mundo precisa de mais pessoas talentosas e felizes. As fronteiras entre vida pessoal e vida profissional progressivamente tendem a desaparecer. Essas pessoas não vão mais trabalhar para se sustentar, mas desfrutar do resultado positivo que seu talento os permitirá ter;
  • A felicidade, tão esperada ao longo dos anos pela velha geração será descoberta no dia de hoje, na possibilidade de ser o que se quer ser, sem comparações, sem receitas, fórmulas mágicas ou nada que possa prejudicar alguém.

 

Carreiras: O princípio da Competência

O mundo empresarial passa por uma transição sem volta, sendo que a chave do êxito se encontra na formulação e equivalência do comportamento variável dos fatores globais com os processos de adequação e gerenciamento dos negócios, através de sistemas que se apropriem para vencer sazonalidades.

Nossa condição fixa ou variável já não possui vínculos com o patrimônio das organizações, que por sua vez não são mais representativos pelo imobilizado, mas pela qualidade do mobilizado.

O jogo que tem valor está exatamente no campo de batalha e, portanto é de alto risco e feito para uma nova safra de destemidos, loucos e determinados conquistadores. Ao contrário, num passado muito próximo, o show era ser parte de um staff, medido por reuniões intermináveis, junto a um grupo de estratégicos pensadores.

Sem questionamentos, nosso sonho era poder se deslocar para área nobre das organizações, local reservado e blindado para os altos escalões. O resultado da conquista somava-se a uma sala decorada com direito a cafezinho servido pela copeira, ser tratado por senhor ou doutor, e paparicado por uma exclusiva secretária. Daí para frente o sucesso ficaria na dependência das articulações sociais entre os habitantes deste requintado e exclusivo mundinho.

Os tempos mudam, e com eles novas necessidades e exigências criaram a percepção de um modelo enxuto próximo às coisas praticas e operacionais, e assim gradativamente os velhos sistemas foram sendo condenados pelo próprio distanciamento tático que definiram a sua própria ascensão.

No mundo competitivo, gradativamente fomos assistindo ao fim do status do isolamento, valorizando aqueles naturais do campo das ações. Ser executivo, independente do tamanho das ambições passou a ser sinônimo da frase “ter capacidade de executar” de tal forma que o custeio do passe fica pela medição direta dos resultados produzidos. Desta forma presenciamos a extinção da garantia fixa de ser e estar para um perfil necessário de participar e agir, dependente direto do êxito das próprias realizações e da capacidade criativa de inovar com soluções frente a um mundo articulado para ser desigual.

Quando definimos o comportamento empresarial moderno, temos a clara visão de que todos participantes do meio devam estar necessariamente ligados e conectados para a produção geradora de negócios, ou seja, arte de executar fica na dependência do profundo vínculo e afinidade com o conhecimento das variáveis conectadas diretamente com o mercado. Desta forma o segredo e êxito do desenvolvimento de uma atividade estão na quantidade qualificada de profissionais competentes, feitos pela média ponderada dos pontos fortes de cada geração de profissionais que fazem o time, para interpretar e agilizar soluções de retorno ao mesmo mercado.

A pró-atividade passou a ser mandatária nos quesitos do mundo variável, e desta forma não ser animadamente atirado é estar convicto de que será fuzilado, internamente ou pela concorrência mais esperta. No mundo variável tudo que não está no foco para definir resultado, independentemente de ser humano ou técnico, são repassados para quem possa dar mais variabilidade de execução.

A solução estrutural está no conceito de um modelo permanente e elástico, do tipo ser “resiliente” o suficiente para atacar e recolher sem grandes perdas, mas com velocidade suficiente para continuar o jogo da ação, reação e resultados. Estamos na era do soltar a franga, porque a produção do valor está em ser variável e continuamente solucionador das coisas que a maioria não consegue.

O mundo continuará sendo seletivo pela busca dos qualificados, sendo que, o que se espera de cada um de nós é um fôlego adicionado de razões para que possamos nos adaptar ao que as transformações venham a exigir para viabilizar as atividades e sua transferência de ganhos tangíveis ou não à própria vida.

(Sérgio Dal Sasso, consultor empresarial, escritor e palestrante. Palestras inteligentes em Empreendedorismo, Administração, Vendas e Educação Profissional)